quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O guardião invisível, Dolores Redondo

Uma história muito diferente das que conhecemos no gênero dos romances policiais, tem uma mistura de superstição, crendice, espiritualidade, vida familiar, crimes, culinária, traumas de infância, doenças mentais, misoginia, sexismo, briga de poder, discussão de gênero, dentre outros temas abordados de forma secundária, como cuidados da infância, gravidez, casamento e muito mais.
Assim sendo, mesmo tendo uma estrutura clássica muito bem feita, em que todos os elementos são fornecidos ao leitor e à detetive quase ao mesmo tempo (o privilégio é mais do leitor do que da detetive), também rompe os paradigmas das narrativas clássicas ao dar relevância a diferentes temas.
Além disso, foi um dos poucos livros que conseguiu me enganar quanto ao culpado, ao chegar o final até mesmo eu (leitora voraz de histórias policiais) nem sequer imaginava quem era o culpa.
Logo, é uma história que foge dos clichês do gênero, mas ainda se mantém fiel ao gênero da qual faz parte. O único porém é que a narrativa é meio lenta, arrastada e opressiva, coisa que se repete na adaptação disponível na Netflix.

Recomendo a leitura do livro e a adaptação para as telinhas da Netflix.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Escola sem partido Parte 4 - É bom para o moral?

Sobre moral, segundo o Escola sem partido, isso cabe apenas à família. Ou seja:

- roubaram os lápis da tua filha? a escola não pode fazer nada

- bateram no teu filho? a escola não pode fazer nada

- tua filha está se cortando? vai continuar se matando aos pouquinhos

-o coleguinha beijou tua filha à força? Não posso fazer nada, é um comportamento moral da família dele.

- teu filho chegou roxo em casa? não posso fazer nada faz parte da educação moral de quem bateu.


Ah, mas chama os pais dessas crianças. Cara, os pais não aparecem nem pra ver as notas.


Escola sem partido - Parte 3 - Sobre gênero e sexo

Vamos conversar uma coisa?
Não existe kit gay, nunca existiu, beleza?
Tenho 15 anos de sala de aula, amo o que eu faço.

Vou contar uma coisa pra ti...
As crianças já vem pra escola sabendo sobre sexo, informações obtidas em casa através de filmes, novelas e quando veem os pais em casa. Ok? Pra começo de conversa, as discussões sobre gênero começam e são necessárias porque as famílias já deixaram que eles tivessem acesso a muita coisa.

História de escola: crianças de primeiro ano "brincando" de fazer igual estava na novela, ficar pelada, deitada e se esfregando. (verídica essa e todas as outras histórias).

Meninos homossexuais apanhando dos colegas machões.

Meninas sendo forçadas a ganhar beijos dos meninos.

Meninas puxadas pelos braços, pelos cabelos.

Meninos chorando e sendo motivo de chacota.

Tudo isso e muito mais é educação de gênero, você sabia?

Escola sem partido - Parte 2 Problemas básicos O título foi feito pra nos enganar


O título foi feito pra enganar!!!

       Quando a gente lê escola sem partido, pensa direto em partido político e acha bem bom que ninguém possa fazer propaganda política. Lembrando que propaganda política não é expressar opinião, usar camiseta, boton, etc, fazer propaganda é dizer que um é melhor que o outro apenas porque é, sem comparativos ou discussões.
      Mas quando se lê a proposta, a coisa vai ficando complicada, porque não é contra partido político é contra qualquer expressão no ambiente escolar, ou seja, está por trás dela que existe um padrão de neutralidade ideológica, assim, já de saída fica bem invalidada, porque não existe neutralidade, nunca. Até a forma como nos vestimos ou escovamos os dentes tem uma construção ideológica por trás.
      Tá, aí fala em manter a laicidade porque o estado é laico, mas olha só, o presidente eleito tem em seu plano uma definição específica de Deus, ops, ele faz uma oração no primeiro discurso,... Pera, aí! É o professor que está fazendo doutrinação nas escolas? Será?


Escola sem partido parte 1 - vamos olhar alguns detalhes

Primeiramente, vamos dar uma olhada nos principais pontos do Projeto Escola sem partido.

Entenda mudanças no projeto Escola Sem Partido, que está para ser votado

"[..] Pela redação, o uso dos termos "ideologia de gênero", "gênero" ou "orientação sexual" ficaria proibida no ensino no país. O novo substitutivo amplia a aplicação da lei e não estabelece punições aos professores. A versão anterior do texto estabelecia que a lei seria aplicada aos livros didáticos e paradidáticos. O relator propôs que a restrição tenha efeito sobre qualquer material didático e não apenas os livros.

A proposta Escola Sem Partido define regras e restringe a atuação dos professores em relação aos conteúdos curriculares. Desse modo, esses profissionais devem deixar fora do debate dentro das salas de aulas suas predileções políticas, partidárias, ideológicas, sexuais ou religiosas, em respeito ao caráter laico do estado. [...]

De acordo como substitutivo os professores NÃO poderão:
  • favorecer, prejudicar ou constranger alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas ou da falta delas
  • fazer propaganda político-partidária em sala de aula e incitar alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas
  • permitir que esses direitos sejam violados pela ação de estudantes ou de terceiros dentro da sala de aula
Além disso, os professores, ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, terão de apresentar, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito da matéria.
Os professores terão ainda que respeitar o direito dos pais dos alunos a que seus filhos recebam educação religiosa e moral de acordo com suas próprias convicções."
Fonte: Mazieiro, Guilherme.Entenda mudanças no projeto Escola Sem Partido, que está para ser votado  https://educacao.uol.com.br/noticias/2018/10/31/entenda-mudancas-no-projeto-escola-sem-partido-que-esta-para-ser-votado.htm

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Bolsonaro X Haddad - Sobre educação e eleições!

Prezados leitores, alunos, ex-alunos, amigos, colegas e responsáveis, peço que você, que conhece o meu trabalho, permita uma única reflexão sobre nossa situação política atual:
Pergunte ao seu filho se ele prefere:

A- estudar em casa ou
B- ter aulas manhã/tarde com oficinas, jogos, aulas diferentes e aulas regulares?
A - ter seus direitos reduzidos a um mero obedecer sem reflexão ou
B- Ser respeitado e ter direitos e deveres como um cidadão em formação?

Pergunte a si mesmo se você prefere seu filho:
A- em casa ou
B- cuidado e aprendendo na escola enquanto vc trabalha ?
Agora, e o ensino superior:
A - quer pagar ou
B - quer uma Universidade pública, gratuita e de qualidade?


Estas escolhas definem o perfil para educação do candidato que apresenta proposta, postura e posicionamento semelhante ao seu:

A - 17
Você valoriza a educação apenas para uma parcela da população que possa pagar por ela, além disso, tens a meritocracia como uma certeza e acreditas que as oportunidades em nosso país precisam ser aparentemente igualitárias e não equânimes.

B - 13
Você reconhece que as oportunidades não são iguais para todos e acredita que a educação e cuidado dos jovens deve ser feita com respeito e qualidade, bem como tem uma postura de equidade de oportunidades e uma visão justa das oportunidades.

Reflita sobre isso, caso queira conversar pacificamente sobre estas e outras coisas referentes à educação. Só me chamar
Abraço

domingo, 14 de outubro de 2018

Objetos cortantes, Gyllian Flyinn - Recomendo com ressalvas

NÃO RECOMENDO IMPUNEMENTE!      

 O livro "Objetos cortantes" é hipnotizante como uma cobra ou um acidente de carro, a gente sente a história angustiante, doentia e estranha desde o início do livro. Embora pareça, em seu início, a estrutura clássica das histórias de investigação em que um repórter é o "detetive" que o leitor acompanha, a história vai nos levando para um território sombrio tão lentamente que, quando nos damos conta, já não é mais possível voltar ao início e desistir da leitura. 
        
  A torturante e sufocante atmosfera que acompanha Camille acaba por se infiltrar lentamente na narrativa e sufocar, também, ao leitor que acaba por ver tragado para dentro da narrativa, cada vez mais assombrada eu acompanhava o desenrolar da história, as peças são tão bem encaixadas que as reviravoltas acabam sendo, ao mesmo tempo, coerentes com o que aparece na narrativa, previsíveis e, paradoxalmente, surpreendentes.
             
   Nos capítulos finais, junta os diversos elementos da narrativa com uma brusquidão e ajuste surpreendentes, fazendo com que o inesperado seja mais uma vez modificado pela narrativa.
     
      Recomendo a leitura apenas às pessoas que estiverem prontas para a devassidão e a perturbação que este livro apresenta.


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Quarto em chamas, de Michael Connely (Tag Inéditos)

Um livro interessante, mas com um ritmo meio arrastado que não me empolgou muito (mas talvez seja apenas a emoção eleitoral me consumindo mesmo, kkkk). Contudo, mesmo demorando para encontrar um ritmo mais ágil, a narrativa acabou me conquistando pela riqueza de detalhes, a construção dos casos e a dinâmica entre Luck Lucy e Bosch.
Longe das idealizações dos clássicos do gênero, ou das desconstruções  do noir, esta história segue mais linha mais realista que lembra os filmes americanos, mas sem aquela correria maluca dos trillers. Demorei pra me apegar, mas me apaixonei e (mais surpeendende) me identifiquei com Bosch, o detetive quase aposentado que é o cínico, experiente, meio resmungão, mas muito competente e orgulho do que faz. Ao mesmo tempo, também me vi em Lucy Soto, no fogo de seu início sortudo e cheio de esforço.
Recomendo a leitura!!!!

sábado, 29 de setembro de 2018

Opinião: Conversem com as crianças e jovens

Prestem atenção aos jovens e às crianças da sua família, converse, faça pensar, treine argumentação, pergunte e valorize a opinião deles. Estas eleições estão mostrando o quanto precisamos aprender a discutir sem brigar, dialogar sem ofender e debater sem envolver argumentos completamente sem sentido.
Você que sabe argumentar, que estudou, que tem condições tem a obrigação de fazer com que cada criança e jovem aprenda a ver a opinião do outro como forma de interagir e não de reagir! 
Tantos jovens querem armas porque não sabem debater ideias pq não entendem progressão lógica ou argumentos.

Era uma vez..na escola

Uma história verdadeira de como a intolerância e o discurso de ódio são perigosos e estão minando as crianças:
Cuidando o recreio de uma das escolas em que trabalho, uma menininha loira vem chorando porque uma colega não queria mais ser amiga dela, até aí, tudo normal. Peguei a menininha pela mão e fui lá conversar.
Agora, começa a parte tensa, quando cheguei tinha um bolinho de meninas em volta de uma que chorava também, era a que não queria mais ser amiga da menina loira. Sabem o porquê de ela esta chorando?
PORQUE DUAS OUTRAS SE ACHARAM NO DIREITO DE BATER NELA ATÉ QUE ELE ACEITASSE SER AMIGA DA LOIRA NOVAMENTE!!!!
Aí, parei pra conversar com toda elas e expliquei que não podemos bater em quem não quer fazer o que nós queremos que faça, ainda mais em questões de amizade.
A lorinha e suas defensoras estavam iradas, ela chorava e dizia que precisava de mais amigos, pq a outra tinha que ser amiga dela só porque ELA queria.
Continuei explicando com toda a paciência que consegui juntar que NINGUÉM É OBRIGADO A SER AMIGO DE NINGUÉM! QUE A OUTRA TEM O DIREITO DE ESCOLHER OS SEUS AMIGOS. Ela continuou inconsolável e ainda querendo forçar a outra a uma amizade que não era bem-vinda.
O recreio acabou, mas eu continuo pensativa, pois o discurso intolerante está permeando a sociedade e destruindo as relações saudáveis do futuro...