quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Um estranha em casa, Shari Lapena (ATENÇÃO: SPOILER)

Uma história que tem uma pretensão superior àquilo que a autora consegue realizar, me pareceu uma história alongada além do necessário em que a solução do problema não é bem uma solução, parece meio forçada e pouco efetiva, embora seja bem interessante. Pra mim, o que vale mais a pena é o final em que a história, que vinha sendo um triller de suspense se torna algo mais próximo do terror psicológico e faz com que a história ganhe contornos de perseguição e uma profundidade mais interessante.
Recomendo a leitura.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Caixa de pássaros, O filme (PODE TER SPOILERS!)

RECOMENDO O FILME E O LIVRO
NOTA DO FILME: 8,5

Dia 21/12 estreou diretamente na Netlix a adaptação do livro Caixa de Pássaros, de Josh Mallerman. Durante o ano de 2018 li o livro com os alunos de 8º e 9º ano da EMEF Residencial Figueira de Viamão e eles gostaram bastante da história.
Sobre o filme, achei uma adaptação interessante, o final está melhor do que o do livro (bah, difícil eu dizer isso), porém, como qualquer adaptação de uma história de terro/suspense psicológico, o filme acaba tendo que fazer recortes e escolhas para dar conta de toda a história e é aí que a coisa fica meio complicada. Mesmo com mais de duas horas de duração o filme acaba passando por cima de muitas situações que servem para dar o tom de suspense, confinamento, sufocamento e dificuldade da história. No livro, a histeria vai tomando conta aos poucos do planeta, bem lentamente, cada caso que aparece vai construindo o desespero que toma conta aos poucos da personagem; o tempo dos capítulos se alterna entre passado recente, passado menos recente e presente narrativo de modo genial exigindo que o leitor se mantenha sempre atento à história e aos elementos envolvidos, no filme, a história é contada entre presente e passado, num ritmo mais acelerado em que as coisas acontece de forma muito rápida, chegando a não fazer sentido ou não ter o mesmo peso narrativo, como o aparecimento de Gary e a confusão criada por ele que começa e acaba muito rápido. Enquanto assistia ao filme, fiquei muito intrigada com a velocidade dos acontecimentos e senti falta de muitos detalhes. Como é um filme, o roteirista acabou inserindo um relacionamento e um cena de sexo que não aparece no livro e achei desnecessária no filme.
Uma coisa que ficou muito legal no filme foi o modo como eles mostram a mudança nos olhos das pessoas que encaram a "criatura", também ficou legal a explicação de que os loucos não são afetados por elas.
Mas a melhor parte do filme é sem dúvida alguma o final, ficou muito bom, toda a "leveza" que filme apresenta é dilacerada no final do filme, ou seja, inverte a lógica do livro, que é pesadão o tempo todo e alivia no final. O filme puxa toda a angústia possível na busca desesperada de Malory por seus filhos na floresta, no desespero da proteção que poderá receber, na perseguição de uma criatura que nem ela nem nós enxergamos, apenas podemos sentir o desespero da corrida às cegas em busca da família e da esperança.




quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O guardião invisível, Dolores Redondo

Uma história muito diferente das que conhecemos no gênero dos romances policiais, tem uma mistura de superstição, crendice, espiritualidade, vida familiar, crimes, culinária, traumas de infância, doenças mentais, misoginia, sexismo, briga de poder, discussão de gênero, dentre outros temas abordados de forma secundária, como cuidados da infância, gravidez, casamento e muito mais.
Assim sendo, mesmo tendo uma estrutura clássica muito bem feita, em que todos os elementos são fornecidos ao leitor e à detetive quase ao mesmo tempo (o privilégio é mais do leitor do que da detetive), também rompe os paradigmas das narrativas clássicas ao dar relevância a diferentes temas.
Além disso, foi um dos poucos livros que conseguiu me enganar quanto ao culpado, ao chegar o final até mesmo eu (leitora voraz de histórias policiais) nem sequer imaginava quem era o culpa.
Logo, é uma história que foge dos clichês do gênero, mas ainda se mantém fiel ao gênero da qual faz parte. O único porém é que a narrativa é meio lenta, arrastada e opressiva, coisa que se repete na adaptação disponível na Netflix.

Recomendo a leitura do livro e a adaptação para as telinhas da Netflix.

domingo, 14 de outubro de 2018

Objetos cortantes, Gyllian Flyinn - Recomendo com ressalvas

NÃO RECOMENDO IMPUNEMENTE!      

 O livro "Objetos cortantes" é hipnotizante como uma cobra ou um acidente de carro, a gente sente a história angustiante, doentia e estranha desde o início do livro. Embora pareça, em seu início, a estrutura clássica das histórias de investigação em que um repórter é o "detetive" que o leitor acompanha, a história vai nos levando para um território sombrio tão lentamente que, quando nos damos conta, já não é mais possível voltar ao início e desistir da leitura. 
        
  A torturante e sufocante atmosfera que acompanha Camille acaba por se infiltrar lentamente na narrativa e sufocar, também, ao leitor que acaba por ver tragado para dentro da narrativa, cada vez mais assombrada eu acompanhava o desenrolar da história, as peças são tão bem encaixadas que as reviravoltas acabam sendo, ao mesmo tempo, coerentes com o que aparece na narrativa, previsíveis e, paradoxalmente, surpreendentes.
             
   Nos capítulos finais, junta os diversos elementos da narrativa com uma brusquidão e ajuste surpreendentes, fazendo com que o inesperado seja mais uma vez modificado pela narrativa.
     
      Recomendo a leitura apenas às pessoas que estiverem prontas para a devassidão e a perturbação que este livro apresenta.


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Quarto em chamas, de Michael Connely (Tag Inéditos)

Um livro interessante, mas com um ritmo meio arrastado que não me empolgou muito (mas talvez seja apenas a emoção eleitoral me consumindo mesmo, kkkk). Contudo, mesmo demorando para encontrar um ritmo mais ágil, a narrativa acabou me conquistando pela riqueza de detalhes, a construção dos casos e a dinâmica entre Luck Lucy e Bosch.
Longe das idealizações dos clássicos do gênero, ou das desconstruções  do noir, esta história segue mais linha mais realista que lembra os filmes americanos, mas sem aquela correria maluca dos trillers. Demorei pra me apegar, mas me apaixonei e (mais surpeendende) me identifiquei com Bosch, o detetive quase aposentado que é o cínico, experiente, meio resmungão, mas muito competente e orgulho do que faz. Ao mesmo tempo, também me vi em Lucy Soto, no fogo de seu início sortudo e cheio de esforço.
Recomendo a leitura!!!!

sábado, 29 de setembro de 2018

Opinião: Conversem com as crianças e jovens

Prestem atenção aos jovens e às crianças da sua família, converse, faça pensar, treine argumentação, pergunte e valorize a opinião deles. Estas eleições estão mostrando o quanto precisamos aprender a discutir sem brigar, dialogar sem ofender e debater sem envolver argumentos completamente sem sentido.
Você que sabe argumentar, que estudou, que tem condições tem a obrigação de fazer com que cada criança e jovem aprenda a ver a opinião do outro como forma de interagir e não de reagir! 
Tantos jovens querem armas porque não sabem debater ideias pq não entendem progressão lógica ou argumentos.

Era uma vez..na escola

Uma história verdadeira de como a intolerância e o discurso de ódio são perigosos e estão minando as crianças:
Cuidando o recreio de uma das escolas em que trabalho, uma menininha loira vem chorando porque uma colega não queria mais ser amiga dela, até aí, tudo normal. Peguei a menininha pela mão e fui lá conversar.
Agora, começa a parte tensa, quando cheguei tinha um bolinho de meninas em volta de uma que chorava também, era a que não queria mais ser amiga da menina loira. Sabem o porquê de ela esta chorando?
PORQUE DUAS OUTRAS SE ACHARAM NO DIREITO DE BATER NELA ATÉ QUE ELE ACEITASSE SER AMIGA DA LOIRA NOVAMENTE!!!!
Aí, parei pra conversar com toda elas e expliquei que não podemos bater em quem não quer fazer o que nós queremos que faça, ainda mais em questões de amizade.
A lorinha e suas defensoras estavam iradas, ela chorava e dizia que precisava de mais amigos, pq a outra tinha que ser amiga dela só porque ELA queria.
Continuei explicando com toda a paciência que consegui juntar que NINGUÉM É OBRIGADO A SER AMIGO DE NINGUÉM! QUE A OUTRA TEM O DIREITO DE ESCOLHER OS SEUS AMIGOS. Ela continuou inconsolável e ainda querendo forçar a outra a uma amizade que não era bem-vinda.
O recreio acabou, mas eu continuo pensativa, pois o discurso intolerante está permeando a sociedade e destruindo as relações saudáveis do futuro...

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Língua de sinais brasileira: Estudos Linguísticos, de QUADROS e KARNOPP

Um livro fantástico sobre língua de sinais, nele as autoras trazem vários estudos linguísticos sobre várias línguas (principalmente a ASL) para refletir, descrever e estudar sobre a Língua de sinais brasileira (inclusive elas explicam porque adotaram este termo e não o uso da expressão LIBRAS) numa perspectiva de estudo linguístico que, ainda hoje, apresenta uma vasta área para pesquisas e estudos.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

A vendedora de livros, Cynthia Swanson (ATENÇÃO, PODE CONTER SPOILERS)


Partindo da ideia de como seria uma vida de sonhos, a personagem principal nos leva com ela para uma viagem onírica de um mundo ideal. Contudo, aos poucos, as situações se desintegram e se invertem, deixando o leitor entrever, sentir e sofrer junto com Kitty as nuances que permeiam a realidade e a fantasia. 
      Numa narrativa que inicia arrastada e, levemente, enfadonha a narradora vai descortinando a fantasia e a realidade, num jogo translúcido e Belo. Ao longo do livro, são tratados inúmeros assunto extremamente difíceis, como: doenças, perdas, maternidade ,homossexualidade, loucura, solidão, sexo, compreensão, realidade, fuga, tristeza, dor, amor, diagnóstico e especialização médica. Todos eles inseridos de forma orgânica e bela na história desta vendedora de livros encantadora.
     Uma ficção que permeia a realidade humana, ou uma história humana que se utiliza da ficção? Não sei bem essa resposta, mas recomendo a leitura exatamente por isso, um livro lindo e maduro em que a vida é vista na beleza crua das emoções!  RECOMENDO MUITO!!!



sexta-feira, 27 de julho de 2018

A boa filha, Karin Slaughter (ATENÇÃO, APARECEM SPOILERS)

RECOMENDO A LEITURA!
LI EM DOIS DIAS PORQUE NÃO CONSEGUIA PARAR!
     
     Ganhei do maridão pelo Dia dos Namorados uma assinatura da TAG Inéditos (https://taglivros.com/), julho era o mês de aniversário do clube de leitura , por isso, vinha um Diário de Leitura (eu quase enlouqueci quando vi a propaganda).
      Ao fazer a associação, ganhei R$35,00 de crédito pra gastar na Tag Loja (https://loja.taglivros.com/), além de ter quase pirado com a loja porque é muita coisa linda sobre livros e literatura eu comprei dois livros também da Tag Inéditos, um deles foi o título  "A boa filha", de Karin Slaughter, uma autora bem conhecida de quem acompanha as resenhas (este ano, já li vários livros dela), este foi o primeiro livro mandado desta modalidade do Clube.
   Primeiro foi meio estranho voltar a ler em livro físico (KKKKK) já fazia um tempão que eu lia este tipo de livro apenas em suporte digital, ou seja, foi um tal de reacostumar a pegar o objeto livro, de reencontrar a maneira como me organizar pra ler em suporte físico, de sentir o peso e o cheiro do livro na mão. Ou seja, me proporcionou um retorno às origens, ao gosto de uma leitura que não experimentava há muito tempo. 
    O livro é um verdadeiro triller que fez com que eu carregasse o livro por toda a casa e todos os momento (ainda bem que estava de férias pq até perder o sono eu perdi), a história já começa de maneira intensa, depois, pula para 28 anos depois do que acontece no início, alternando entre personagens acompanhadas pelo narrador. Como sempre, a autora é fantástica na maneira de prender o leitor, vai nos enrolando na narrativa, a gente vai se prendendo às personagens e ao que vai acontecendo. A história é uma mistura de triller, crime, história de tribunal, história de superação e as descrições fazem com que vivenciemos o que acontece.
     Quanto à construção do livro, não gostei muito das repetições de partes da história para demonstrar aquilo que não tinha sido contado como aconteceu na realidade, ou seja, a gente percebe que o narrador conta apenas aquilo que as personagens teriam contado para todos, assim, o leitor (que normalmente é onisciente junto com o narrador) acaba por saber apenas a versão contada para todas as pessoas. Na primeira vez que a autora fez isso no livro eu achei genial, mas fiquei meio cansada lá pela terceira vez, acho que é um recurso interessante se não for muito utilizado em excesso.
       Além disso, mais uma vez, a autora traz a gente numa correria de emoções e entrega um final meio morno, meio apagado, com umas revelações bombásticas que não poderiam ser descobertas pelo leitor através da leitura do livro, ou seja, é o tipo de coisa que faz com que pareçamos enganados pela escritora, pois não tinha como saber nada daquilo que é dito no final. Mesmo assim, a narrativa vale cada palavra e é fantástica!